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Para a Rede Resiclima, enfrentar os efeitos da crise climática requer fortalecer sistemas alimentares diversos e resilientes, ampliar o acesso a alimentos in natura e minimamente processados, integrar políticas ambientais, nutricionais e educacionais e incluir a saúde mental nas estratégias de adaptação
A Rede Resiclima, articulação científica internacional voltada ao estudo multidimensional das mudanças climáticas, divulgou dois artigos que apresentam um modelo explicativo sobre como o aquecimento global pode influenciar transtornos de ansiedade de maneira indireta. A proposta relaciona alterações nos sistemas alimentares, impactos nutricionais e desfechos neuropsicológicos. As pesquisas reúnem pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras e foram coordenadas por Ulysses Paulino de Albuquerque, do Departamento de Botânica da UFPE. Os artigos completos estão disponíveis online.
Indirect influence of global climate change, mediated by nutrition, on anxiety disorders
Impacts of global climate change on nutrition and its effects on neuroeducational outcomes
De acordo com os estudos, as mudanças climáticas afetam a produtividade agrícola, modificam a qualidade nutricional dos alimentos e intensificam eventos extremos, como secas e enchentes. Projeções indicam que culturas centrais na alimentação, como café, milho e feijão, podem registrar queda de rendimento até 2050, a depender do cenário climático. Além da redução quantitativa, há evidências de diminuição na concentração de micronutrientes essenciais — entre eles ferro, zinco e vitaminas do complexo B — importantes para o funcionamento do sistema nervoso. Os efeitos tendem a ser mais severos em populações vulneráveis, como comunidades indígenas e famílias de baixa renda, cujos sistemas alimentares tradicionais desempenham papel relevante na ingestão de micronutrientes.
Os trabalhos apresentam ainda o modelo conceitual denominado “armadilha clima-nutrição-educação”. A hipótese sustenta que mudanças climáticas impactam a produção e a qualidade dos alimentos; déficits nutricionais afetam o desenvolvimento cognitivo e o desempenho escolar; menor escolaridade reduz oportunidades socioeconômicas; e essas populações permanecem mais expostas aos efeitos climáticos, reforçando um ciclo de vulnerabilidade ambiental e social.
Como resposta, os pesquisadores defendem políticas públicas integradas que articulem clima, alimentação e saúde mental. Entre os exemplos citados está o programa Fome Zero, que combinou transferência de renda, apoio à agricultura familiar e estratégias de segurança alimentar. Para a Rede Resiclima, enfrentar os efeitos da crise
Por fim, os autores destacam que os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde mental não se limitam a eventos extremos ou à percepção de risco futuro. Transformações estruturais nos sistemas alimentares podem atuar como mediadores menos visíveis, mas relevantes, na dinâmica dos transtornos de ansiedade. Ao articular climatologia, nutrição, neurociência e saúde pública, a Rede Resiclima propõe uma abordagem interdisciplinar para enfrentar a crise climática, conectando sustentabilidade ambiental, segurança alimentar e resiliência mental.
Com informações da Ascom UFPE.
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