Produção Acadêmica

Alimentação do brasileiro é pouco variada, mostra pesquisa da Resiclima

Embora o país seja riquíssimo em biodiversidade, a alimentação da população é baseada sempre nos mesmos itens

O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Porém, apesar disso, essa realidade não se reflete no prato da população: nosso consumo de alimentos biodiversos é ainda bastante reduzido. É o que revela o artigo “A biodiversidade é negligenciada na alimentação de diferentes grupos sociais no Brasil” (traduzido livremente do inglês), publicado na Revista Scientific Reports). Os resultados mostraram que apenas 1,3% da população brasileira consome alimentos biodiversos, e que esse consumo varia de acordo com a área geográfica, etnia e condições socioeconômicas. 

A pesquisa também revelou que o consumo de plantas alimentícias não convencionais pode ser um indicador de vulnerabilidade social. Além delas, cogumelos comestíveis e carne de animais selvagens formaram a base da investigação.

A pesquisa adicionou mais informações e dados ao estudo anterior, produzido pela Resiclima. De acordo com Michelle Jacob, coordenadora da pesquisa e integrante do Laboratório de Biodiversidade e Nutrição (LabNutrir), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), embora o país seja riquíssimo em biodiversidade, a alimentação da população é pouco variada, baseada sempre nos mesmos itens.

Segundo ela, esse padrão limita o acesso a diferentes nutrientes e compostos bioativos, trazendo riscos para a saúde. O meio ambiente também acaba por ser afetado, pois esse comportamento incentiva práticas como a monocultura e reduz a diversidade dos cultivos agrícolas. “Quanto mais biodiversidade há na alimentação e no campo, mais equilibrado é o ecossistema, favorecendo o solo, a fauna e os polinizadores”, ressalta Jacob.

Para desenvolver o estudo, os pesquisadores utilizaram dados de uma pesquisa nacional sobre alimentação e estimaram a frequência de consumo de alimentos biodiversos. Os autores também levaram em conta variáveis socioeconômicas, como idade, sexo, escolaridade e segurança alimentar. A análise de dados usada para revelar os fatores sociais que levam ao consumo de plantas alimentícias não convencionais foi auxiliada por técnicas de inteligência artificial.

Michelle Jacob, coordenadora da pesquisa e integrante do LabNutrir, da UFRN. Foto: Felipe Sousa

POPULARIZAÇÃO DE CONSUMO DE ALIMENTOS BIODIVERSOS

Os pesquisadores da Rede Resiclima querem testar maneiras de popularizar o consumo desses alimentos na dieta das pessoas e, para isso, estão desenvolvendo um estudo. A pesquisa será realizada por meio de formulário on-line. Link aqui.

Para participar, o respondente precisa ser estudante universitário ou já ter concluído alguma graduação, morar em cidades (centros urbanos), ter 18 anos ou mais. Ao final do processamento dos dados, os participantes irão ganhar um relatório personalizado com seu perfil de conhecimento sobre alimentos negligenciados.

Com informações da Agecom/UFRN

Sobre a Resiclima

A Rede Resiclima é uma colaboração interinstitucional que reúne pesquisadores dedicados ao estudo das mudanças climáticas. Originária de diversas instituições acadêmicas, como UFPE, UFRPE, UFPB, UPE, UFMA, Unifesspa, UNIVASF, UNEAL, UFAL, USP, UnB, UFRN, PUC-Rio, UFU, Universidad Nacional del Comahue (Argentina), Universidad Autónoma del Estado de Hidalgo (México), Universidade do Michigan (EUA), Universidade de Turku (Finlândia), Universidade de Osnabrück (Alemanha) e Universidade de Auckland (Nova Zelândia), a rede promove uma abordagem integrada para entender as variadas dimensões das transformações climáticas e suas implicações.

Saiba mais: www.resiclima.com.br 

 

Luna

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