Escrito em versos, S.O.S. Bichos Brasil apresenta a situação de 16 espécies que habitam diversas regiões do país. A publicação é da Cepe Editora
Ararinha-azul, guigó, lobo-guará, peixe-boi, soldadinho-do-araripe e tatu-bola. Embora de classes, famílias e habitats diferentes, estas espécies possuem um ponto em comum: são fontes de inspiração para a poesia de Frederico Brito e Thais Evangelista. Os versos deles, voltados para 16 espécies com habitat no país, estão em S.O.S. Bichos Brasil, o novo livro infantil da Cepe Editora e ilustrado pela artista visual Luci Sacoleira. O lançamento será às 15h do próximo dia 14/03 (sábado), na Loja Reticiências, na Praia de Iracema, em Fortaleza (CE). Nele, haverá sessão de autógrafos e uma oficina de desenhos conduzida pela ilustradora da obra.
Entre as 16 espécies retratadas no livro há bichos do Cerrado, da Caatinga, da Mata Atlântica e da Amazônia. Imagem central da capa, a onça-pintada inspirou a criação do 11º poema do livro. Ao felino, os escritores dedicam versos em perguntas e respostas, que são denúncias contra a destruição da natureza: “Mata preservada? / Mata devastada. Habitat natural? / Habitat infernal. Terra sagrada? / Terra arrasada. Meio ambiente? / Meio indecente. Onça-pintada? / Onça-irada”. Este último verso dá título ao poema.
O livro, além das poesias, traz fichas com os nomes comuns, nome científico, classe, família e habitat dos bichos, além das ameaças que sofrem e o status de conservação. Neste caso, a classificação segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, criada pela União Internacional para a Conservação da Natureza e Recursos Naturais (IUCN) e publicada no livro. Na lista dos animais citados em S.O.S. Bichos Brasil, o Periquito-cara-suja, ave endêmica das florestas úmidas do Ceará, é tido como “Em perigo crítico”, a sétima pior classificação em uma escala de nove. Acima dela há somente “Extinta na natureza”, que é o caso da Ararinha-azul, e “Extinta”.
Casados, Frederico e Thais possuem uma longa jornada de coautoria na literatura infantil. Têm mais de duas dezenas de publicações. “O interesse por temas ligados à fauna sempre esteve presente em nossa produção. No entanto, o desejo de abordar especificamente as espécies ameaçadas de extinção surgiu de uma conversa mais profunda entre nós: refletíamos sobre que tipo de literatura gostaríamos de deixar como legado”, afirmam. Eles acrescentam que o tema de S.O.S. Bichos Brasil se impôs pela urgência, pela delicadeza e pela necessidade de sensibilizar leitores desde cedo.
A escolha dos animais abordados do livro partiu da observação da Lista Vermelha. Mas a seleção, segundo os autores, não ocorreu de forma aleatória e nem engessada. Buscou-se os bichos “que dialogavam melhor com a linguagem poética e com as possibilidades simbólicas de cada texto”. O processo criativo do casal é colaborativo, sendo ainda mais coletivo em S.O.S. Bichos Brasil. “Escrevemos lado a lado, como quem compõe uma canção. Os versos iam surgindo em diálogo — um começava, o outro continuava — até que o poema encontrasse sua forma final”, completaram.
Autores
S.O.S. Bichos Brasil é a 24ª obra conjunta de Thais e Frederico, o primeiro a ter o selo da Cepe Editora. A trajetória de publicações começou com O menino da pele azul (Editora Franco, 2019). Novos títulos vieram em 2020 (quatro), 2021 (três) e 2022 (um). 2023 e 2024 registraram um maior número de lançamentos, sete em cada ano. Individualmente, Frederico e Thais publicaram livros via concursos públicos da Secretaria de Educação do Ceará. Ele soma três títulos e ela, dois. Cearenses, Thais e Frederico são pais de três filhos.
Também cearense, Luci Sacoleira atua como artista visual desde 2011, tendo ilustrado cerca de 20 livros. Um dos seus trabalhos mais conhecidos é Antonino Peregrino (Solisluna Editora, 2021). Escrito por Osvaldo Costa, o livro recria a história de Antônio Conselheiro (1830-1897), líder religioso de Canudos (BA). A lista de publicações de Luci inclui Lengalenga (Amelí Editora, 2021), no qual assina texto e desenhos, e Caderno de Maria (Ciranda na Escola, 2025), com texto de Thyalynni Lavor.
Trechos do livro
O cachorro-vinagre azedou
“O cachorro-vinagre
está bem chateado,
o caldo azedou.
Azedou feito vinagre,
pois seu habitat
alguém surrupiou.”
(Página 10)
Quem vai ajudar o lobo-guará?
“Pé ante pé,
sem chamar a atenção,
Se ninguém me ajudar,
acho que vai ser meu fim,
Será que uivo pra rua?
Será que fujo pra lua?”
(Página 16)
O tatu-bola está pistola
“Nesse enrola e desenrola,
hoje em dia nem dá bola
se é tatu ou se está bola.”
(Página 26)
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